Anabela Reis Moreira

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Liderar não é ter um cargo. É ter impacto.

O verdadeiro teste da liderança acontece quando o cargo deixa de impressionar

Há um momento inevitável na vida de qualquer líder.

O dia em que o título deixa de bastar.

Pode acontecer porque muda de função.

Porque deixa a organização.

Porque a equipa já não obedece apenas por obrigação.

Ou, simplesmente, porque as pessoas começam a distinguir entre autoridade e influência.

É nesse momento que percebemos uma das maiores ilusões da liderança.

Confundimos, demasiadas vezes, poder com capacidade de influenciar.

E não são a mesma coisa.

O poder pode ser atribuído.

A influência tem sempre de ser conquistada.

Foi precisamente esta ideia que John Maxwell procurou sistematizar quando descreveu os seus cinco níveis da liderança. O mérito do modelo não está em criar uma receita. Está em recordar-nos que a autoridade amadurece. Não nasce pronta.

Começa na posição.

Mas não termina aí.

O cargo abre a porta. Não garante que alguém queira entrar.

A primeira forma de liderança é institucional.

Existe porque a organização a reconhece.

É necessária.

As organizações precisam de estrutura, responsabilidade e clareza sobre quem decide.

Mas qualquer pessoa que tenha trabalhado alguns anos sabe que o organograma resolve apenas uma parte do problema.

O respeito não aparece automaticamente com a promoção.

É construído na forma como se exerce essa responsabilidade.

A influência nasce das relações

Há líderes que conseguem resultados apesar das pessoas.

Outros conseguem resultados através das pessoas.

A diferença raramente está na inteligência técnica.

Está na capacidade de criar confiança.

As equipas seguem durante algum tempo quem manda.

Seguem durante muito mais tempo quem as faz sentir vistas, respeitadas e desafiadas.

É aqui que a liderança deixa de ser exercício de autoridade para se tornar exercício de humanidade.

Os resultados continuam a importar

Empatia sem execução não é liderança.

É simpatia.

A confiança precisa de ser acompanhada pela capacidade de transformar intenção em realização.

Os líderes credíveis não prometem apenas.

Entregam.

Criam condições para que as equipas produzam melhor.

Tomam decisões difíceis quando necessário.

Assumem responsabilidade pelos erros.

E distribuem mérito quando as coisas correm bem.

O legado começa quando deixamos de ser o centro

Talvez a mudança mais profunda aconteça quando o líder deixa de medir o seu sucesso pelo que consegue fazer sozinho.

Passa a medi-lo pelas pessoas que ajudou a crescer.

Organizações verdadeiramente fortes não dependem de figuras indispensáveis.

Dependem de culturas onde novas lideranças continuam a surgir.

Quem precisa de permanecer permanentemente no centro dificilmente está a construir futuro.

Está apenas a prolongar o presente.

O que permanece

Poucos recordam, anos mais tarde, o organograma de uma organização.

Mas muitos recordam quem lhes deu uma oportunidade.

Quem acreditou quando ninguém acreditava.

Quem corrigiu sem humilhar.

Quem exigiu sem destruir.

Quem ensinou mais do que aquilo que estava na descrição da função.

Talvez seja esse o verdadeiro nível mais elevado da liderança.

Não aquele em que acumulamos mais influência.

Mas aquele em que deixamos de precisar dela para continuar presentes na vida das pessoas.

Porque, no fim, os cargos terminam.

Os organogramas mudam.

As organizações transformam-se.

Aquilo que permanece é sempre a mesma pergunta.

Quando o teu título desaparecer, o que continuará a existir da tua liderança?


Bom fim de semana.

Que haja tempo para descansar, mas também para pensar na única influência que verdadeiramente importa: aquela que permanece quando já ninguém é obrigado a seguir-nos.

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