A Ingratidão (na vida e no trabalho) como um cancro
A ingratidão é um cancro. Mas é de quem a pratica, nunca de quem ajuda.
Uma pessoa que ajudei muito.
Investi muito tempo meu nessa pessoa (ajuda graciosa) para ela hoje ter um bom ordenado, um trabalho remoto, voltar a estudar, entrar na universidade.
No dia 29 de dezembro “desapareceu”.
Até hoje, nada disse.
Nem pela morte da minha mãe.
Considerava essa pessoa já uma amiga.
Hoje dei este exemplo a uma líder que sigo na Mentoria LifeShift Master, uma líder de uma organização da Economia Social.
Vinha a propósito de ela considerar a ingratidão “um cancro”.
Chegámos então ao conceito de ajudar sem esperar nem sequer respeito.
Cada um dá o que tem dentro de si
Muitas formas de cancro não têm tratamento.
No entanto, este tem.
Cada um dá o que tem em si.
Se tem ingratidão, dá o que tem.
Se tem mentiras, dá o que tem.
Se tem muita coisa falsa e postiça, dá o que tem.
Se não tem educação, não a pode dar.
É a matemática simples do comportamento.
Eu sempre soube
Eu já sabia como esta pessoa era, mesmo quando a acompanhei para ela ter sucesso.
Fico mesmo feliz com o meu trabalho com essa pessoa.
Mesmo.
Já me mentia.
Já desaparecia.
Já se desligava do próprio processo pessoal de construir uma vida muito melhor, em todos os sentidos.
E eu, coach até à veia, andava atrás.
Dizia-lhe diretamente que me estava a mentir, para ela perceber que “aqui ninguém é burro”, como dizia o falecido Augusto Boal num livro com esse título…
E eu sempre soube.
Ajudar não foi um erro
Por isso, dei o que tinha para dar.
E sabia que nunca iria receber nem sequer respeito de quem nunca o teve para oferecer.
Um dia ouvi, em tom de despeito, de uma pessoa de quem muito gostava no meu trabalho:
“Fizeste porque quiseste!”
E eu respondi:
“Não. Fiz porque me foi pedido.”
Mas, ainda que tivesse feito porque queria, isso faria de mim uma boa profissional.
Não faria de mim estúpida.
Nem otária.
Bondade não é estupidez
Que nunca se confunda, no trabalho e na vida, bondade com estupidez.
E, por estes dias, esta humanidade confusa e invertida confunde isso todos os dias.
A ingratidão pertence a quem a pratica
A ingratidão é deles.
Nunca nossa.
É um cancro que algumas pessoas trazem para as relações pessoais e profissionais.
Nasce de estupidezes alheias.
De egos inflamados.
De necessidades oportunistas que nunca foram nossas.
Não quero mais esse cancro na minha vida.
Não o deixe entrar na sua.
Faça o bem. Sempre.
Faça por si.
Porque lhe pedem.
Porque quer.
Porque isso faz de si uma pessoa generosa.
O mundo é dos bons.
Quem nada tem para dar, tem tudo para, mais cedo ou mais tarde, falhar.
Pense nisto.


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