Adeus 2022…
2022: o ano da endurance
2022 foi um Paris-Dakar diário.
Foi um ano duro, forte e um grande, enorme professor.
A palavra que define este ano que passou é, sem dúvida:
Endurance.
Persistência, esperança, querer mais, saber que posso mais, saber que consigo.
2019
2019 foi um inferno.
Já não me custa olhar para trás, e até olho com bastante lucidez hoje.
Digo claramente que deveria ter sido internada pelos meus amigos (em burnout, a lutar contra o Estado para recuperar o meu nome de registo depois de um divórcio, uma luta que durou 1 ano).
Em 2019, lembrei-me a par e passo de Winston Churchill, que disse:
“Se estiveres a passar o inferno, continua a andar.”
E andei.
Cheguei a 2020.
2020
Em 2020 entrei com a vontade de recuperar um ano de vida, e recuperei um sonho.
O sonho de ser mãe, do qual desisti algures anos antes por não se provar possível, pude viver este sonho em 2020.
Vivi-o em plena pandemia e depois de muita, mesmo muita dor.
Depois do que considero um crime contra a humanidade, um crime que, por sermos humanos, não devia acontecer.
Mas acontece a 3 em cada 5 mulheres que engravidam e infelizmente neste mundo de homens, as mulheres arcam com o mundo às costas.
Sim, São Cristóvão deveria ser a personificação de uma mulher.
Em 2020, atravessei um sonho, um crime e uma doença e venci.
Entro em 2021 vitoriosa.
Tinha vencido o meu amor, a minha força e o meu carácter.
2021
2021 foi um ano de decisões.
De decisões muito difíceis.
Foi também um ano de um diagnóstico médico errado, o que me gerou muita ansiedade e muito medo na verdade.
2021 foi o ano de voltar ao trabalho, depois de uma gravidez de risco e de uma licença de maternidade alargada.
E volto.
E fico feliz por poder trabalhar 100% remotamente na área que me apaixona: gestão de pessoas.
2022
2022 é um misto de emoções:
Doente mais vezes do que pensei.
Covid-19 de uma forma impensável para mim (a ponto de não me levantar da cama, não conseguia).
E o dia-a-dia de uma mãe única, que é como quem diz, mãe que cria sozinha o seu filho: não porque não tem pai, que tem, mas porque infelizmente, como o pai do Amorim, muitos pais, o ego é mais forte e penaliza os filhos.
Como ele, a família dele.
Disto falaremos depois porque está um livro quase a sair.
2022 é o ano que, com uma amiga, decido iniciar o Movimento Mães Únicas, um movimento que apoia pais e mães que criam sozinhos os seus filhos.
Vamos apoiar emocionalmente e institucionalmente estas mães e estes pais.
2022 é o ano que resolvo assumir a minha enorme paixão por cozinhar e lanço a Lady Marmalade.
2022 é o ano em que resolvo afirmar-me como sou:
Pessoa.
Mulher.
Profissional.
Mãe.
Amiga.
E, em tudo isto,
IMPERFEITA.
Em 2022 andei sempre à procura da perfeição.
Sempre.
E encontrei.
Não onde a procurava, mas em coisas que estão sempre comigo:
- A minha varanda é perfeita.
- A minha casa é perfeita.
- Ler um livro é perfeito.
- Ouvir uma música que gosto é perfeito.
- Sobretudo, o meu filho é perfeito.
Tendo descoberto tanta coisa importante para mim, continuo a mesma, a mesma índole, a mesma integridade e o mesmo carácter, mas muito mais determinada, decidida e afirmativa:
O que me faz mal não me serve, bem me servirá jamais.
2023
Para 2023 levo a ENDURANCE que aprendi em 2022.
A não confrontar problemas nem desafios.
A conhecer estes problemas e desafios por dentro, a resolver ou dizer que não.
Esta ENDURANCE foi uma lição incrível.
Uma lição de paz e bem-estar.
2023 é um ano de tantas surpresas.
De tanto trabalho que tinha guardado sair para a luz do dia.
É o ano em que tudo é novo, tudo é descoberta, mas que hoje sei que adoro descobrir e descendo do que dobraram o Cabo Bojador.
Dobrarei muitos cabos, muitas esquinas estreitas, muitas ruas largas.
Dobrarei o que aparecer porque sou feita desse ADN.
2023 será o ano para eu empoderar pessoas como eu:
Feitas de vontade.
Feitas de força que a sociedade esgota, mas está lá.
2023 é também o ano destas pessoas.
2022, obrigada pela lição, obrigada por hoje me fazeres viver melhor.
2023, estou preparada – ou não – mas ao menos entro de olhos novos e vontade para a vida.


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