Anabela Reis Moreira

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Liderança pessoal e profissional dos freelancers

O Freelancer é, por natureza, um líder

Durante muito tempo na minha vida, pela cultura familiar de ser filha de dois funcionários públicos, pensei que o trabalho por conta de outrem seria sempre a solução. Teria de ter boas notas, ser a melhor aluna para ser validada pelo mercado de trabalho e ter uma boa posição por conta de outrem. Este pensamento fazia-me todo o sentido e alimentou-me (alimentei-o) durante cerca de 38 anos.

Sempre tive experiências de trabalho brilhantes. Posso dizer que sempre fui muito mimada e sempre tive muito boas equipas e muito boas lideranças. Aprendi e cresci muito.

No entanto, a minha última experiência de trabalho por conta de outrem não foi positiva, aliás, foi muito negativa. Foi o drive necessário para decidir ser freelancer. E sou. Sou orgulhosamente freelancer.


O início da mudança

Ao estudar o mercado e perceber como poderia afirmar o meu nome e as minhas competências, fui ter a uma série de plataformas de freelance work, entre as quais a Indústria Criativa.

Há de facto muitas plataformas a nível internacional de freelance work. A nível nacional não recomendaria muitas — e estudei praticamente todas — mas recomendaria a Indústria Criativa. Esta plataforma foi criada em fevereiro de 2016 e reúne uma série de criativos a nível nacional.

Tudo isto para chegar ao meu artigo.

Comecei a observar o trabalho destes criativos e, como a plataforma tem um mecanismo semelhante ao de uma rede social, que permite seguir o trabalho das pessoas, comecei precisamente por fazer isso. Adicionei algumas pessoas ao LinkedIn, acompanhei outras no Twitter e noutras redes sociais.

Foi então que comecei a perceber várias coisas.


A liderança pessoal de um freelancer

Liderança emocional

Um freelancer tem de ter uma gestão emocional enorme e diária.

Percebo hoje, depois de três anos de trabalho freelancer, que a prioridade será sempre o colaborador interno e, por isso, o freelancer é frequentemente visto como o profissional independente que não necessita de apoio.

Isso é excelente… até ao momento em que realmente precisamos de orientação.

Afinal, trabalhamos para o cliente e sob a visão, missão e ambição deste. Esta gestão emocional é, muitas vezes, complexa.

Liderança comunicacional

Um freelancer não está oito horas por dia dentro da organização do cliente.

Por isso, tem de maximizar o seu tempo e a sua comunicação para que possa compreender exatamente o que é esperado e, ao mesmo tempo, fazer-se compreender.

Comunicar é fundamental para liderar. E, naturalmente, para ser um bom freelancer.

Liderança positiva

Aplico aqui os princípios da Psicologia Positiva.

Levantar todos os dias, gerir o tempo, trabalhar com vários clientes e cumprir os deliveries necessários, mantendo uma boa atitude, faz do freelancer um líder positivo e motivacional.


A liderança profissional do freelancer

Ao nível profissional, o freelancer tem igualmente de assumir uma postura de liderança.

Liderança de equipas

Um freelancer interage com várias equipas e acaba por fazer parte delas, de forma discreta mas inclusiva.

Um consultor freelancer de Recursos Humanos, por exemplo, terá necessariamente de conhecer e falar com as pessoas para conseguir desenhar e implementar bons processos de Gestão de Pessoas.

Mesmo sendo trabalhador independente, dependendo da sua atitude, fará naturalmente parte da equipa.

Liderança lateral

Não é preciso existir uma relação top-down para existir liderança.

A liderança lateral é uma das formas mais eficazes de liderar:

Porque estás ao meu lado, influencio-te positivamente para que possas ser um melhor profissional.

Um freelancer é precisamente isso: um líder natural, com expertise técnica e uma atitude resiliente capaz de gerar impacto nas equipas onde trabalha.

Liderança servidora

Um freelancer é também um líder servidor.

Ouve o cliente.

Ouve as pessoas.

E serve.

Serve através da sua competência e das suas atitudes.

Um bom freelancer é igualmente um excelente problem solver e, só pelo facto de resolver problemas de forma consistente, já exerce liderança (embora todas estas competências sejam cumulativas).


Em síntese

Depois de observar vários freelancers, posso concluir que:

  1. Um freelancer é, necessariamente, um LÍDER.
  2. Quer trabalho com autonomia e iniciativa? Contrate um LÍDER Freelancer.
  3. Se uma empresa decidir contratar um freelancer para integrar os seus quadros, estará provavelmente perante uma das melhores aquisições que pode fazer (embora ache difícil, porque a liberdade que o trabalho freelance proporciona é extraordinária e, por isso, uma posição vinculada torna-se muitas vezes difícil de negociar).

Sou orgulhosamente freelancer e hoje tenho uma perspetiva emocional e cultural que nunca tive antes deste tipo de trabalho.

Sentiu, de alguma forma, que este pode ser o seu lugar?

Desafie o LÍDER em si e seja freelancer!


Publicado na Revista LÍDER | Ideias que fazem futuro, em 16 de dezembro de 2019.

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