Os empresários devem estar loucos! – 5 regras para não ser internado
Os empresários devem estar loucos
Os empresários devem estar loucos.
Devem mesmo.
E a mim incluo neste lote.
Em fevereiro de 2017, após uma má experiência profissional, na verdade a pior da minha vida até aquele momento, até aos meus 39 anos, decidi que, depois de 15 anos a trabalhar por conta de outrem, já tinha skills para me lançar como freelancer.
E assim o fiz.
Liguei-me a networks internacionais de freelancers e trabalhei para muitas multinacionais.
Como estava a recibo verde e quando o cliente tinha sede noutro país era complicado, pelo documento e pelos impostos, o meu Contabilista recomendou-me que abrisse empresa, que a faturação seria mais respeitada a nível internacional e seria tudo mais simples.
E assim fiz.
No dia 14 de fevereiro de 2018, abro a UpTogether Consulting.
Assim fiz, e fiz mal.
Da AT e da SS
Para ter uma empresa precisa de cumprir escrupulosamente com estas duas entidades, mas elas não precisam cumprir consigo.
Há que saber isto.
O mínimo deslize, tipo 1 dia de atraso, seja no que for, e as multas são enormes.
O contrário não é válido.
Para não falar dos erros da AT e da SS, que são muitos e maus, e do princípio “primeiro paga e depois reclama”, que vigora desde sempre nestes serviços.
Pelo caminho, uma bola de neve de coisas que, bem vistas, às vezes nem nossas são.
REGRA Nº 1 DO EMPRESÁRIO/A: fugir de instituições públicas como quem foge do diabo e meter alertas na agenda de papel, no computador, no telemóvel e em três apps diferentes para saber quando é cobrado tudo e não falhar com nada.
Dos clientes que não respondem
Todos dos dias recebo uma média de três pedidos de propostas, para empresas, assim gerais e sem muita fundamentação do pedido.
Andando nestas artes por conta de outrem há muitos anos e há dois na minha empresa, tenho uma proposta tipo que mando e que tem todos os nossos serviços.
No início, quando fundei a empresa, ainda me entusiasmava com os pedidos de propostas.
Hoje, vejo que é mesmo para conseguirem informações e programas de forma simples e para não terem trabalho nos negócios deles.
Gosto de responder cordialmente sempre.
E não recebo resposta em 99% das vezes.
Vale pelo 1% em que me agradecem ter enviado.
REGRA Nº 2 DO EMPRESÁRIO/A: responda sempre. Fica bem. Não crie expectativas. O mais certo é um dia ver a sua proposta, método, seja o que for reproduzido noutro contexto.
Dos clientes que não pagam
Há imensas teorias e técnicas para evitar isto.
Tentei muitas, acredito que não tentei todas.
Na verdade, já me revoltei, mas percebo que as pessoas que nos contratam nem querem saber.
Fazia o meu trabalho, entregava e cobrava.
Não pagavam.
E eu não recorria aos tribunais porque sabia que ia ter custos.
Depois torna-se um padrão.
O ser enganada enquanto freelancer com a conversa do bandido:
“Anabela, estamos a começar.”
“Anabela este mês não conseguimos mesmo.”
“Anabela a formação não teve tantas pessoas como queríamos.”
“Anabela…”
Hoje em dia, coloco os processos em tribunal e espero que a justiça faça bem o seu trabalho.
REGRA Nº 3 DO EMPRESÁRIO/A: após 2 meses sem pagamento, rescinda o contrato. Está a gastar tempo valioso seu e das suas pessoas em empresas e pessoas que simplesmente não querem saber e, no limite, contratam outras pessoas e continuam nesta “cantiga do bandido”. A “cantiga do bandido” tornou-se um método de gestão proveitoso para muita gente.
Das Ordens Profissionais que também não querem saber
Nesta luta pela justiça, e enquanto me indignava, contratei uma advogada e paguei provisões elevadas para me representar.
Ora bem, desapareceu e a Ordem dos Advogados, desde outubro de 2019 até ao dia de hoje, nada diz.
Liguei, mandei e-mails para todos os lados, cartas registadas com aviso de receção e o prejuízo está do meu lado.
REGRA Nº 4 DO EMPRESÁRIO/A: não é por ser Ordem dos Advogados, ou outra organização de referência, que tem mais credibilidade e que trata das coisas com sucesso. Não acontece. Espere sempre, mas mesmo sempre o pior.
Dos Bancos que são monstros
Sim, os bancos são monstros.
E nem precisamos de notícias do Novo Banco ou outras que tais para percebermos que, de facto, não existe segurança.
Qualquer coisa serve para empatar o cliente, para reter da pior forma o cliente, para não fazer nada pelo cliente.
REGRA Nº 5 DO EMPRESÁRIO/A: meter o dinheiro debaixo do colchão não dá, mas disperse e abra conta em pelo menos 2 bancos. Os bancos são feitos de pessoas e as pessoas mudam de projeto e outras pessoas que chegam não têm o compromisso que outras (boas) pessoas e profissionais tinham. Divida para reinar. Nesta questão dos bancos é essencial.
Do Covid 19
“Anabela, as minhas pessoas não trabalham: Covid19.”
“Anabela, vou fechar a empresa: Covid19.”
“Anabela não consigo pagar este mês porque as minhas pessoas têm prioridade, mas preciso muito do seu trabalho: Covid19.”
REGRA Nº 6 DO EMPRESÁRIO/A: não arranje desculpas. Faça tudo para encontrar soluções e planos. Há tanta gente muito boa em soluções no mercado, tantos consultores excecionais e grandes problem-solvers. Há tantas boas práticas. Quando tudo falha, peça ajuda com claridade e humildade. Eu também estou aqui para isso.
Das nossas pessoas
Hoje estou com uma equipa excecionalmente boa.
Hoje sinto que posso confiar na minha equipa.
Que nos respeitamos todas e que nos entregamos todas.
Mas houve momentos em que não foi assim.
A empresa que criei, criei para trabalhar remotamente.
Sempre viajei muito e queria continuar a viajar.
Assim, já tive uma colaboradora que copiou o disco do meu computador na minha ausência e depois tentou vender os projetos que eu tinha feito; outra que, quando rescindi contrato, sentiu que deveria ficar com o portátil da empresa (e ficou).
Ou um colaborador de marketing que não sabia o que era uma hashtag e, licenciado em marketing e publicidade, dava erros de palmatória e 2 meses de correção de erros não bastaram.
Hoje a minha realidade é a que quero ter:
Pessoas motivadas, que me apoiam e que se apoiam entre si.
Depois de bater com a cabeça nas paredes (muito, confesso) estou finalmente onde quero estar e com quem quero estar.
REGRA Nº 7 DO EMPRESÁRIO/A: as suas pessoas são tudo: são a alma do negócio, são o coração do negócio, os olhos, as mãos e todas as emoções do negócio. Contrate pessoas boas: boas de coração e motivação sobretudo. Para isso, ouça, para isso peça referências antes de contratar. Compense as suas pessoas que sem dúvida que todos os dias o vão compensar a si.
Regra nº 8 do Empresário / Regra de Tungsténio
Deve ser, à semelhança do tungsténio, a regra mais forte da sua empresa e da sua gestão, inclusive gestão de pessoas:
Persista sempre.
Tudo vai falhar?
Persista.
O banco não fez?
Persista.
Passou um prazo?
Persista.
Persista em tudo.
Até em si mesmo.
Quando tudo lhe diz “desiste”, eu digo:
PERSISTE.
Publicado na RH Magazine.


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