Palestra: “O impacto da maternidade na identidade profissional da mulher”
A maternidade não altera apenas a vida da mulher. Altera o sistema.
Há um momento — silencioso, estrutural, quase invisível — em que a maternidade reconfigura tudo.
O corpo.
A energia.
A atenção.
O tempo.
A forma como se decide.
Não como episódio.
Como arquitetura.
E, ainda assim, as organizações continuam a operar como se nada tivesse acontecido.
É neste território — entre o que muda profundamente e o que permanece artificialmente igual — que se inscreve a minha participação nas II Jornadas de Psicologia das Organizações, Social e do Trabalho, promovidas pela Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.
No próximo 18 de abril, às 16h00, terei o privilégio de conduzir a conferência “O Impacto da Maternidade na Identidade Profissional da Mulher”, numa iniciativa que decorrerá em formato online.
A sessão propõe uma leitura exigente sobre a forma como a maternidade continua ausente das estruturas reais de decisão organizacional.
Ausente nos modelos de desempenho.
Nos critérios de progressão.
Nas expectativas de disponibilidade.
Ausente, sobretudo, como variável legítima de análise.
O que se produz, a partir dessa ausência, não é apenas desconforto individual.
Produz-se distorção sistémica.
Distorção na avaliação.
Distorção na liderança.
Distorção naquilo que se entende como mérito.
A maternidade não altera apenas a vida da mulher.
Altera o sistema.
E tudo o que não é integrado com consciência transforma-se em erro repetido.
Esta sessão nasce dessa urgência: trazer clareza onde existe simplificação, estrutura onde existe omissão e responsabilidade onde existe silêncio.
Será um privilégio poder contribuir para esta reflexão e agradeço o convite da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto para integrar estas Jornadas.


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