Anabela Reis Moreira

person holding eyeglasses

Porque é que estamos sempre a falar de empatia?

Gostava de viver num mundo em que falar de empatia não fosse necessário

Estamos sempre a falar de empatia porque ela não existe.

E as exceções, quando existe, quando pessoas a têm, confirmam a regra: a EMPATIA, para a maior parte das pessoas, é um superpoder. E, por o ser, muitas pessoas não o têm.

De facto, não falamos tanto do ar, ou da necessidade de tomarmos banho todos os dias, porque é comum e acontece.

Para ser muito gráfica.

Mas falamos em direitos humanos.

Falamos em direitos.

Falamos em deveres.

Porque somos uma sociedade que está a falhar como humanidade.

O nosso instinto de sobrevivência mata a empatia.

A necessidade de evoluir como pessoa e no trabalho mata a empatia.

Evoluímos em gestão e regredimos em emoção.

Pedem-nos “normalidade” e evoluímos em standards de sermos todos “normais”.

Indignamo-nos com a célebre frase:

“Isto não é normal.”

Já agora, quando foi a última vez que entoou esta frase?

E foi sobre que situação?

A normalidade sempre foi o standard mais baixo da sociedade…

  • O talento não é normal.
  • A extra mile não é normal.
  • Vestir a camisola não é normal.
  • Pessoas educadas, genuínas e espontâneas não são normais.

Como eu gosto desta diferença.

Como fazem a sociedade melhor quando saímos da normalidade.

Mas somos normalizados e temos de seguir a norma, ou não há prisões para nós todos!


Voltando à empatia

Temos de ter consciência de várias coisas porque, de facto, as vantagens de sermos empáticos e de uma comunicação empática são, na verdade, mais nossas.

A empatia cria relações saudáveis

A empatia permite que as pessoas compreendam e estabeleçam uma ligação emocional com os outros.

Isto é fundamental para construir relacionamentos saudáveis e significativos.

Quem é que não quer ter bons relacionamentos na vida e no trabalho?

Se não quiser ter, é só não ser empático.

Não ouvir.

Falar só de si e do que lhe interessa.

Não se preocupar com as pessoas à sua volta.


A empatia melhora a comunicação

Ao praticar a empatia, as pessoas podem comunicar de forma mais eficaz, pois estão mais sintonizadas com as necessidades, sentimentos e perspetivas dos outros.

Isto reduz os mal-entendidos e os conflitos.

Se não quiser uma boa comunicação, pode ignorar a empatia.

Pode ignorar para quem está a enviar o email.

Pode ignorar a outra pessoa e focar-se apenas, e de forma absoluta, no trabalho.

Ignore o “bom dia”.

Ignore o “espero que se encontre bem”.

Ignore a empatia.


A empatia ajuda a resolver conflitos

A empatia pode ser uma ferramenta valiosa na resolução de conflitos, pois ajuda as pessoas a verem as situações a partir de diferentes pontos de vista e a encontrar soluções que satisfaçam as necessidades de todas as partes envolvidas.

Assim, se gostar de conflitos constantes, foque-se só em si.

Só no que faz.

Não ligue muito à equipa nem às pessoas à sua volta.

Trate o trabalho apenas como trabalho.

Torne-se um bot de sucesso.


A empatia protege a saúde mental

A empatia está ligada ao bem-estar social e mental, pois, ao sentir e compreender as emoções dos outros, as pessoas podem oferecer apoio emocional e ajudar a aliviar o sofrimento de quem está a passar por dificuldades.

Por isso, não ligue ao que os outros sentem à sua volta, na vida e no trabalho.

Não tenha empatia.

Condene toda a gente, incluindo a si próprio, a problemas de saúde mental e emoções que nos lesam.

“Sentidismos.”

Sentir-se ofendido com nadas.

Levar tudo para o campo pessoal.

Não tenha empatia.

E viva mal.


A empatia melhora as decisões

A empatia desempenha um papel importante na tomada de decisões éticas.

Ajuda as pessoas a considerar as implicações das suas ações sobre os outros e sobre a sociedade em geral.

Assim, se quer tomar decisões más, para si e para o seu trabalho, não tenha empatia.

Sobretudo, não pratique pensamento sistémico.

Garanta assim que as suas decisões são erradas.

Se é isso que quer, basta não ter empatia.


A empatia promove inclusão

Ao praticar a empatia, as pessoas podem reconhecer e valorizar a diversidade de experiências e perspetivas, promovendo a inclusão e a equidade.

Por isso, se não quer criar ambientes inclusivos e diversos na empresa e na vida, exclua pessoas que não servem a sua normalidade.

Discrimine em função da licenciatura, das preferências pessoais, culturais ou da identidade.

Assim garante um ambiente branco, neutro e aborrecido.

Não tenha empatia.


A empatia torna-nos melhores profissionais

Em muitos campos profissionais, como a saúde, a educação, a liderança e o serviço ao cliente, a empatia é considerada uma competência essencial para o sucesso.

Profissionais empáticos entendem melhor e respondem melhor às necessidades dos clientes, colegas e subordinados.

Assim, se quer falhar no que faz, ser incompetente, ignore a empatia.

Foque-se apenas no seu umbigo.

Nos seus objetivos.

Só nos seus.

Nos seus SLAs.

Só nos seus.

Assim garanto que se torna um incompetente de sucesso.


A empatia faz evoluir a sociedade

A sociedade está em constante evolução, e a promoção da empatia é vista como uma forma de avançar para uma comunidade mais compreensiva, tolerante e cooperativa.

Mas claro que não queremos evolução social. Queremos evolução pessoal.

E algumas pessoas acham que, focando-se apenas nelas e ignorando o resto, chegarão ao topo da montanha.

E chegam.

Sozinhas…


A empatia melhora tudo

A empatia melhora tudo.

Mesmo tudo.

A empatia garante-lhe competência, saúde mental, compreensão social e capacidade para resolver problemas complexos.

Colocarmo-nos nos pés de cada uma das pessoas que vivem à nossa volta, para podermos chegar a uma convivência sã na vida e no trabalho, é FUNDAMENTAL.

Do que estamos à espera?

Gostava de viver num mundo em que falar de empatia não fosse necessário…

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