Porque é que estamos sempre a falar de empatia?
Gostava de viver num mundo em que falar de empatia não fosse necessário
Estamos sempre a falar de empatia porque ela não existe.
E as exceções, quando existe, quando pessoas a têm, confirmam a regra: a EMPATIA, para a maior parte das pessoas, é um superpoder. E, por o ser, muitas pessoas não o têm.
De facto, não falamos tanto do ar, ou da necessidade de tomarmos banho todos os dias, porque é comum e acontece.
Para ser muito gráfica.
Mas falamos em direitos humanos.
Falamos em direitos.
Falamos em deveres.
Porque somos uma sociedade que está a falhar como humanidade.
O nosso instinto de sobrevivência mata a empatia.
A necessidade de evoluir como pessoa e no trabalho mata a empatia.
Evoluímos em gestão e regredimos em emoção.
Pedem-nos “normalidade” e evoluímos em standards de sermos todos “normais”.
Indignamo-nos com a célebre frase:
“Isto não é normal.”
Já agora, quando foi a última vez que entoou esta frase?
E foi sobre que situação?
A normalidade sempre foi o standard mais baixo da sociedade…
- O talento não é normal.
- A extra mile não é normal.
- Vestir a camisola não é normal.
- Pessoas educadas, genuínas e espontâneas não são normais.
Como eu gosto desta diferença.
Como fazem a sociedade melhor quando saímos da normalidade.
Mas somos normalizados e temos de seguir a norma, ou não há prisões para nós todos!
Voltando à empatia
Temos de ter consciência de várias coisas porque, de facto, as vantagens de sermos empáticos e de uma comunicação empática são, na verdade, mais nossas.
A empatia cria relações saudáveis
A empatia permite que as pessoas compreendam e estabeleçam uma ligação emocional com os outros.
Isto é fundamental para construir relacionamentos saudáveis e significativos.
Quem é que não quer ter bons relacionamentos na vida e no trabalho?
Se não quiser ter, é só não ser empático.
Não ouvir.
Falar só de si e do que lhe interessa.
Não se preocupar com as pessoas à sua volta.
A empatia melhora a comunicação
Ao praticar a empatia, as pessoas podem comunicar de forma mais eficaz, pois estão mais sintonizadas com as necessidades, sentimentos e perspetivas dos outros.
Isto reduz os mal-entendidos e os conflitos.
Se não quiser uma boa comunicação, pode ignorar a empatia.
Pode ignorar para quem está a enviar o email.
Pode ignorar a outra pessoa e focar-se apenas, e de forma absoluta, no trabalho.
Ignore o “bom dia”.
Ignore o “espero que se encontre bem”.
Ignore a empatia.
A empatia ajuda a resolver conflitos
A empatia pode ser uma ferramenta valiosa na resolução de conflitos, pois ajuda as pessoas a verem as situações a partir de diferentes pontos de vista e a encontrar soluções que satisfaçam as necessidades de todas as partes envolvidas.
Assim, se gostar de conflitos constantes, foque-se só em si.
Só no que faz.
Não ligue muito à equipa nem às pessoas à sua volta.
Trate o trabalho apenas como trabalho.
Torne-se um bot de sucesso.
A empatia protege a saúde mental
A empatia está ligada ao bem-estar social e mental, pois, ao sentir e compreender as emoções dos outros, as pessoas podem oferecer apoio emocional e ajudar a aliviar o sofrimento de quem está a passar por dificuldades.
Por isso, não ligue ao que os outros sentem à sua volta, na vida e no trabalho.
Não tenha empatia.
Condene toda a gente, incluindo a si próprio, a problemas de saúde mental e emoções que nos lesam.
“Sentidismos.”
Sentir-se ofendido com nadas.
Levar tudo para o campo pessoal.
Não tenha empatia.
E viva mal.
A empatia melhora as decisões
A empatia desempenha um papel importante na tomada de decisões éticas.
Ajuda as pessoas a considerar as implicações das suas ações sobre os outros e sobre a sociedade em geral.
Assim, se quer tomar decisões más, para si e para o seu trabalho, não tenha empatia.
Sobretudo, não pratique pensamento sistémico.
Garanta assim que as suas decisões são erradas.
Se é isso que quer, basta não ter empatia.
A empatia promove inclusão
Ao praticar a empatia, as pessoas podem reconhecer e valorizar a diversidade de experiências e perspetivas, promovendo a inclusão e a equidade.
Por isso, se não quer criar ambientes inclusivos e diversos na empresa e na vida, exclua pessoas que não servem a sua normalidade.
Discrimine em função da licenciatura, das preferências pessoais, culturais ou da identidade.
Assim garante um ambiente branco, neutro e aborrecido.
Não tenha empatia.
A empatia torna-nos melhores profissionais
Em muitos campos profissionais, como a saúde, a educação, a liderança e o serviço ao cliente, a empatia é considerada uma competência essencial para o sucesso.
Profissionais empáticos entendem melhor e respondem melhor às necessidades dos clientes, colegas e subordinados.
Assim, se quer falhar no que faz, ser incompetente, ignore a empatia.
Foque-se apenas no seu umbigo.
Nos seus objetivos.
Só nos seus.
Nos seus SLAs.
Só nos seus.
Assim garanto que se torna um incompetente de sucesso.
A empatia faz evoluir a sociedade
A sociedade está em constante evolução, e a promoção da empatia é vista como uma forma de avançar para uma comunidade mais compreensiva, tolerante e cooperativa.
Mas claro que não queremos evolução social. Queremos evolução pessoal.
E algumas pessoas acham que, focando-se apenas nelas e ignorando o resto, chegarão ao topo da montanha.
E chegam.
Sozinhas…
A empatia melhora tudo
A empatia melhora tudo.
Mesmo tudo.
A empatia garante-lhe competência, saúde mental, compreensão social e capacidade para resolver problemas complexos.
Colocarmo-nos nos pés de cada uma das pessoas que vivem à nossa volta, para podermos chegar a uma convivência sã na vida e no trabalho, é FUNDAMENTAL.
Do que estamos à espera?
Gostava de viver num mundo em que falar de empatia não fosse necessário…


Deixe um comentário