Anabela Reis Moreira

ESCOLHI VIVER – Um ensaio sobre o que o sucesso é ou pode ser

Há uns anos escolhi viver

Há uns anos escolhi viver.

Fui criada para estudar, ser boa aluna, para ter um bom emprego, trabalhar por conta de outrem, ter um trabalho para a vida e ter sucesso.

E tive.

Andei pela ONU, pela rádio, e sempre que me indicavam voos maiores, não tinha medo, mas alguma coisa me dizia para não continuar. E não continuei.


O meu conceito de sucesso

Há coisas que não me fazem sentido nenhum.

A busca pela fama, pelos 5 minutos de atenção, pelo sucesso.

Não me faz sentido.

Algures pelo caminho, percebi que tudo é uma consequência das nossas opções e o sucesso também o é. Comecei a medir o meu sucesso pelo gosto que colocava nas coisas e pelas horas de sono que investia nas coisas, só pelo gosto de investir e pelo thrill que me dava!

Pensar, estudar, procurar e falar com pessoas que sabem e a quem posso fazer perguntas de forma livre e que me respondem, é o meu enorme sucesso.

E tão grande que é este sucesso!

O meu sucesso é proporcional às pessoas que conheço e que me ensinam muito todos os dias: sejam clientes, amigos ou colegas.

O meu sucesso é por isso enorme!


A liberdade de escolher

A autonomia que conquistei pelo caminho para dizer que sim e dizer que não às propostas que me fazem, dão-me uma enorme sensação de sucesso, e claro de respeito: do respeito que as empresas que me contratam têm por mim e do respeito que tenho por elas.

Tenho por princípio ser cordial sempre.

E bem-educada.

Respondo a todas as mensagens que recebo, mesmo às quem depois evoluem para conversas que não me servem ou despropositadas.

Respondo até para dizer que vou deixar de responder.


Egoísmo e altruísmo

Atrevo-me a dizer até que foi quando encontrei o egoísmo que encontrei o profundo altruísmo: altruísmo na vida e no trabalho.

Foi quando soube os meus limites, quando soube o que queria para mim, quando soube os meus tempos, que pude dar tudo no trabalho e na vida.

Agora, se digo que não, é porque não posso ou não me serve e assim sou justa e leal comigo e com os meus clientes.

Hoje sou profundamente egoísta e profundamente altruísta.


O que é, afinal, o sucesso?

Sucesso para mim é isto: não é o vazio de uma vida de fotos bonitas nas redes sociais e legendas que reproduzem a ditadura da felicidade.

Sucesso para mim é: poder estar, viver e sentir e claro, trabalhar bem.

O meu sucesso nunca se vai medir nas viagens que fiz e que felizmente foram muitas.

Nunca se vai medir nas que poderei fazer de agora em diante.

Eu viajo nas pessoas que conheço.

O meu sucesso vai-se medir sempre nas pessoas com quem estou e posso estar.

Na minha presença, no meu cuidado, na minha dedicação e na minha atenção.

E por isso, na vida que tenho e quero ter.

E por isso nas minhas pessoas e nas pessoas que pelo meu trabalho e que quero conhecer.

O meu sucesso é isso mesmo: meu.

A minha vida, a minha métrica e as minhas regras.

Que são regras dinâmicas e nas quais pode entrar quando quiser.


A minha métrica

O meu sucesso não é o que ouve de mim ou o que dizem de mim.

Porque somos seres de relação, serei sempre diferente quando me tratar de forma diferente.

Sempre educada se me tratou assim.

Sempre respeitosa, se para mim o foi.

E serei insubordinada (ainda que educada) se me quis passar a perna ou se foi maldoso/a, isso será sempre uma garantia: no momento em que percebo que sou objeto nas mãos de alguém, deixo de o ser, de forma mais ou menos repentina.

O meu sucesso mede-se no sorriso do meu rosto.

Olhe para mim? Acha que sou bem-sucedida?

O meu sucesso mede-se nas segundas-feiras que adoro e nas sexta-feiras também, já que posso programar ainda mais tempo com as minhas pessoas.

O meu sucesso mede-se nos livros que leio, mas também nos blogs e nos posts que vejo.

Em tudo que leio e bom e em tudo que leio de mau.

Em tudo o que observo.

Nas palavras que escrevo (nas que guardo e nas que partilho).

O meu sucesso está nas minhas palavras soltas e nas opiniões que posso dar e partilhar de forma verdadeira.

Está em não querer invadir ninguém e no saber estar e ficar quando me dizem que não, para não entrar.

O meu sucesso está na música que ouço e que corre constantemente em todo o lado onde vou.

Está na arte, sempre na arte que observo, seja ela qual for.

Mas acima de tudo está nas pessoas.

Está em si que me lê aqui e na mensagem que me vai enviar (ou não!).

O meu sucesso nunca vai estar num bom título aqui no LinkedIn.

O meu sucesso está nestes pequenos “tudos”.

E é mesmo tão bom.


E o seu sucesso?

Com isto, concluo a dizer: quando faço coaching, percebo um padrão: queremos todos sentir-nos bem e claro que sim, é isso.

Queremos todos fazer o bem.

Queremos todos ter tempo.

Queremos todos ser vistos.

Queremos todos ser amados.

Andamos a empatar dias para correr atrás disto.

E os dias passam…

E passam mesmo.

E o nosso maior objetivo, que é encontrar a felicidade, perdeu-se no meio dos minutos, dos segundos, das horas e do trabalho, das formações e dos diplomas.

E do dinheiro.

E lá se foi a vida.

Foi-se o sucesso e foi-se a felicidade.

E o seu?

O seu sucesso?

Como tem ido? Qual a sua métrica para o medir?

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *