NÃO precisa de todas as qualificações para se candidatar a um emprego
Não cumpre todos os requisitos? Candidate-se na mesma.
Se é um recém-licenciado/a, provavelmente já se deparou com a situação de olhar para os requisitos de um emprego e pensar:
“Eu não preencho todos estes requisitos.”
No entanto, o facto de não ter todas as qualificações não significa que não deve candidatar-se a esse emprego.
Quero explicar aqui por que não precisa de cumprir todas as qualificações para se candidatar a um emprego e como isso pode ser benéfico para o seu crescimento profissional.
A lacuna entre a sala de aula e o mundo real
É comum os recém-licenciados acreditarem que as aulas na universidade ou na faculdade os prepararam completamente para o mundo do trabalho.
No entanto, a realidade é que a maioria das competências necessárias para o sucesso profissional não são ensinadas nas salas de aula.
Mesmo quando o seu novo emprego envolve competências técnicas que foram abordadas nas aulas, é provável que o seu futuro empregador utilize ferramentas e processos que vão além do que estudou.
Este desfasamento entre a teoria e a prática pode parecer desencorajador quando analisa os requisitos de um emprego e se apercebe de que não possui todas as competências listadas.
No entanto, é importante entender que as empresas não esperam que os candidatos preencham todos os requisitos na perfeição.
O exemplo de crescimento profissional
Um exemplo inspirador de alguém que se candidatou a um emprego para o qual não estava totalmente qualificado é o meu.
Corria o ano de 2009 e, com uma licenciatura em Direito, concorri a posições de gestão de RH, numa altura em que o mercado de trabalho em Portugal era 100% clássico e em que um/uma licenciado/a em Direito seria jurista, advogado/a ou juiz para toda a vida!
Mas concorri!
Hoje, sou muito mais feliz no que faço.
Tinha o que era necessário para desempenhar a função?
Não tinha.
Estudei muito, trabalhei muito mais e hoje tenho muito orgulho no meu percurso.
O crescimento profissional exige desafios
As organizações esperam que as pessoas novas num cargo, sobretudo aquelas que são novas numa empresa, cresçam na função.
Valorizam a curiosidade dos novos contratados, a procura por orientação e até mesmo a disposição para cometer erros enquanto se adaptam à nova função.
Por isso, em vez de procurar empregos onde possa marcar todas as caixas de qualificação desde o início, deve procurar posições que o desafiem.
Embora seja tentador focar-se em empregos para os quais já está sobrecapacitado, esta abordagem tem as suas desvantagens.
Embora comece com uma vantagem e possa “arrancar a correr”, é improvável que esse emprego o ajude a crescer significativamente a longo prazo.
O desenvolvimento profissional requer a aquisição constante de novas competências, e aprender essas competências quando já está sobrecapacitado pode ser desafiante.
É importante perceber que, para avançar na carreira, é fundamental aceitar desafios e posições que o coloquem fora da sua zona de conforto.
A síndrome do impostor e a sua ilusão
A síndrome do impostor é um fenómeno comum que afeta muitos profissionais, especialmente aqueles que se sentem inadequados para as posições que ocupam.
Esta síndrome é caracterizada pelo medo de ser exposto como um “farsante” que não merece o cargo que tem.
As pessoas que experienciam a síndrome do impostor frequentemente acreditam que outros à sua volta têm mais confiança nas suas capacidades do que têm na realidade.
No entanto, é importante reconhecer que a síndrome do impostor é muitas vezes uma ilusão.
Não podemos ler os pensamentos dos outros, e é possível que muitos dos seus colegas também tenham enfrentado desafios e aprendido novas competências no trabalho.
Assumir que está sozinho nesta luta é um equívoco.
Todos, em algum momento, enfrentam a necessidade de aprender novas competências e superar desafios.
Adote uma mentalidade de crescimento
Uma abordagem valiosa para esta questão é adotar o conceito de uma mentalidade de crescimento, como proposto por Carol Dweck e outros psicólogos.
A mentalidade de crescimento enfatiza que a melhor maneira de continuar a aprender é encarar as tarefas difíceis como uma falta de competência, que pode ser adquirida, em vez de uma falta de talento, que é inata.
Ao abraçar esta mentalidade, estará mais disposto a aceitar desafios e a procurar oportunidades de aprendizagem contínua.
Conclusão: não se limite a posições que já domina
Em resumo, não é necessário cumprir todas as qualificações listadas num anúncio de emprego para se candidatar.
As empresas estão à procura de candidatos dispostos a aprender e a crescer na função.
Em vez de se sentir desencorajado pela falta de qualificações, encare essa situação como uma oportunidade de crescimento.
A síndrome do impostor pode ser uma ilusão que o impede de se candidatar a empregos desafiadores.
Lembre-se de que o crescimento profissional requer a aceitação de desafios e a disposição para aprender continuamente.
Adote uma mentalidade de crescimento e esteja disposto a candidatar-se a empregos que o desafiem e o ajudem a crescer.
Em vez de se limitar a posições para as quais já está sobrecapacitado, procure empregos que o estimulem e o ajudem a atingir o seu pleno potencial.
Afinal, o verdadeiro crescimento profissional ocorre quando enfrentamos desafios e estamos dispostos a aprender ao longo do caminho.


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