Coisas que são feias de dizer mas são verdade
Não entregue a sua carreira a quem nunca recrutou
Há demasiado negócio à volta do emprego
Por favor, não comprem serviços de carreira a quem não tem uma carreira.
Por favor, pensem duas vezes antes de entregarem o vosso futuro profissional a quem não trabalha, nem nunca trabalhou, em Recursos Humanos.
E verifiquem também se a pessoa é, de facto, qualificada na área. Não basta ser designer, criador de conteúdos ou especialista em marketing para perceber de recrutamento.
Há muita gente a fazer negócio no mundo do emprego sem nunca ter recrutado uma pessoa, desenvolvido talento ou gerido processos de seleção.
Quem nunca recrutou não sabe como se recruta
Como é que alguém que não trabalha diariamente em Recursos Humanos sabe o que são oito horas por dia, cinco dias por semana, a fazer triagens, entrevistas e desenvolvimento de pessoas?
Como é que consegue testar um CV num ATS que funciona diariamente, compará-lo com centenas de outros candidatos e perceber se aquele currículo tem ou não performance?
Como é que consegue perceber como um perfil é efetivamente visto por um headhunter através do LinkedIn Recruiter?
A resposta é simples.
Não consegue.
O mito do “CV bonito”
Ontem, o Hugo Gonçalves — que entretanto apagou os comentários ao meu post anterior — afirmou que os recrutadores valorizam CV bonitos.
Não.
Os recrutadores valorizam CV eficazes.
Quem trabalha diariamente a desenvolver pessoas e talento valoriza:
- Organização da informação.
- Boa descrição das responsabilidades, funções, competências e conquistas.
- Formação contínua e investimento no desenvolvimento profissional.
- Conhecimento de línguas.
- Experiências de voluntariado e outros indicadores de envolvimento humano e social.
Tudo isto se vê num CV.
E, até ver, continua a ser a principal porta de entrada para uma entrevista.
Há exceções?
Há.
Mas felizmente a cunha tem vindo a perder espaço no mundo corporate. Uma referência pode abrir uma porta, mas não elimina, regra geral, a necessidade de passar por um processo de seleção. O CV continua a chegar às mãos de um recrutador ou de um headhunter.
Um bom CV não é um CV cheio de efeitos gráficos.
É um CV diferenciador.
É um CV claro.
É um CV onde a informação certa está organizada da forma certa.
Trabalho há dezoito anos em Recursos Humanos e desconheço outro caminho consistente para chegar a uma entrevista.
Inteligência Artificial: sim. Delegar a carreira: não.
Não alimentem mais mitos.
E, sim, utilizem Inteligência Artificial.
Claro que sim.
Mas nunca entreguem a vossa carreira à IA.
A experiência é vossa.
As conquistas são vossas.
A decisão final também deve ser vossa.
Editem.
Filtrarem.
Apaguem o que não faz sentido.
As ferramentas de IA ajudam muito, mas também inventam. E inventam mais do que muitos imaginam.
Saber utilizar Inteligência Artificial é uma competência.
Delegar-lhe totalmente a vossa história profissional é outra coisa.
A fotografia também comunica
E já agora.
Se a fotografia é má, está desfocada, tem outras pessoas, fundos irrelevantes, está pixelizada ou mal enquadrada, não coloquem fotografia.
Como escolher um bom profissional de gestão de carreira
Se precisarem de orientação — e isso é perfeitamente normal — procurem profissionais:
- De Recursos Humanos.
- Ativos no mercado.
- De preferência integrados em empresas onde o recrutamento faça parte do trabalho diário.
- Que utilizem ATS, LinkedIn Recruiter e outras ferramentas profissionais de recrutamento.
E peçam uma coisa muito simples.
Peçam para verem o vosso CV a ser testado.
Peçam que partilhem o ecrã.
São os mínimos.
Porque o barato, muitas vezes, sai caro.
Felizmente, há excelentes profissionais a fazer gestão de carreira em Portugal.
Procurem quem trabalha todos os dias do lado de quem recruta.
A diferença nota-se.
E boa sorte.


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