Do Plágio, da Liderança (ou da sua falta)

Do Plágio, da Liderança (ou da sua falta)

Não sou muito de usar Meta/Facebook. Tenho conta pessoal, tenho conta profissional, mas raramente lá entro. Escolho os meus investimentos de tempo porque não consigo ir a todas. Entro no Facebook e no Instagram uma vez por semana, talvez.

Foi no feriado que entrei e dei de caras com uma publicação da “Miss Desbocada” sobre a morte do João Francisco. E doeu. Doeu porque podia ter sido meu aluno, meu filho. Doeu porque era uma vida cheia de sonhos interrompida. Doeu porque estava escrito com empatia, autenticidade e um respeito que não se inventam.

No dia seguinte, entro no LinkedIn — a única rede onde passo tempo de forma ativa. E o que encontro? A mesma publicação. Igual. Palavra por palavra. Mas assinada pelo CEO do Grupo Bernardo da Costa. Sem atribuição. Sem referência. Sem reconhecimento.

Eu, que não conhecia a Miss Desbocada, mas conhecia de nome Ricardo Costa, atribuí-lhe, de imediato, a autoria. Erro meu. E não foi pequeno.


Plágio é roubo

Entretanto soube que o texto era plágio. Soube que não era caso único. Que muitos já tinham denunciado antes o Dr. Ricardo Costa. E que o senhor em questão — CEO de um grande grupo, autor de um livro best seller, rosto público de “boas práticas”, da felicidade ser lucrativa — escolheu o atalho mais feio: roubar palavras.

Isso sim, parece ser lucrativo.

O mais duro foi perceber como eu própria fui enganada pelo reconhecimento e pelo estatuto. Assumi que liderança era sinónimo de ética. Que prestígio era sinónimo de verdade. Que quem constrói tanto não precisa de roubar nada. Enganei-me.


Desculpa, Miss Desbocada

Escrevo aqui o que já lhe escrevi em privado: peço desculpa.

Sinto vergonha.

Desculpa.

E ao Dr. Ricardo Costa, deixo um conselho simples: invista em ghostwriters. Ou melhor ainda, escreva o que é seu. Porque mais vale meia dúzia de palavras frágeis mas verdadeiras, do que milhões copiadas.


Liderança é verdade

Não é um desvio semântico, não é “falta de tempo”, não é um lapso. É plágio. E plágio repetido. Não é erro, é escolha.

Pelos vistos, é um acto com muita reincidência por parte deste senhor. O mais seguido no LinkedIn, o mais visto, o mais “aplaudido”. Mais do que documentado, o plágio reincidente. E eu, caí. Quantas mais pessoas cairão todos os dias?

Aqui mora a verdadeira questão: que líderes estamos a seguir? Que valores estamos a premiar? Que padrões estamos a normalizar?


Um minuto de silêncio

Um minuto de silêncio pela minha ingenuidade e estupidez.

Outro pela presunção do Dr. Ricardo Costa.

E talvez um terceiro — pela falta de exigência que permitimos nas nossas redes, nas nossas empresas, nas nossas vidas.

Porque liderança não é palco de encenação. É palco de verdade. Mesmo que tremida. Mesmo que imperfeita.

Ver tudo aqui.

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