Ainda sobre plágio e liderança: a linha que divide ética de fraqueza
No domingo escrevi sobre um caso de plágio (um entre vários já reportados) do CEO do Grupo Bernardo da Costa, Ricardo Costa. Curiosamente, ontem passou a seguir-me aqui no LinkedIn. Fica, por isso, uma reflexão mais completa e mais estruturada sobre o tema.
O contexto
Fui formadora na Academia Bernardo da Costa. Dei cursos de liderança e fui tratada com enorme respeito. A Paula Santos e a Ana, que geriam a academia, eram de uma formação e caráter irrepreensíveis. Pessoas genuinamente felizes por trabalhar no grupo.
Sei do que falo: fui Gestora de Formação do Grupo Rumos, o maior grupo de formação em Portugal, donos da EPB – Escola Profissional de Braga, Rumos, GALILEU, Flag, entre muitas outras. Quando digo que a Academia Bernardo da Costa funciona muito bem, é com conhecimento de causa. Não apenas como formadora, mas como gestora.
Acredito que o Grupo é bem gerido. Acredito que Ricardo Costa dá o seu melhor e que se rodeia de pessoas competentes. Mas não tomo a parte pelo todo. Um gestor pode ser competente e, ao mesmo tempo, ter uma fraqueza ética: o plágio.
Plágio: fraqueza ética ou má liderança?
Ser plagiador não significa ser má pessoa, nem necessariamente pior gestor. Mas significa desonestidade intelectual e, muitas vezes, um défice de consciência ética e moral. A psicologia explica. Há quem reincida porque racionaliza, porque normaliza, ou porque transforma o “inspirar-se” em hábito compulsivo.
Vejamos os conceitos:
- Plágio – apropriar-se de ideias sem atribuição. É quebra clara de integridade.
- Inspiração – quando algo desperta em nós uma nova criação, com a nossa voz.
- Inspiração com plágio – a zona cinzenta: partes idênticas ao original sem crédito.
- A linha que divide – está no grau de originalidade e no reconhecimento da fonte.
No fundo, não é só uma questão legal ou técnica. É ética.
O que se exige de um líder
Quem lidera não precisa de roubar palavras. Precisa de gerar confiança. Precisa da coragem de dizer: “isto aprendi com X e, a partir daí, construí o meu caminho”.
Um líder, um professor, plagia? Não. Até porque dá o exemplo — e que exemplo seria este?
Pode ter o cargo, mas não tem a ética. Pode ser CEO, gestor, manager — mas não é líder.
Quem precisa de roubar palavras não cultiva felicidade. Pode ganhar muito dinheiro, ter muitos seguidores, ter imenso poder: mas não é líder.
A ilusão da fama
Recebi muitas mensagens sobre o meu post de domingo. Digo isto de forma clara: de que vale ser a pessoa mais seguida de Portugal no LinkedIn, se na verdade as pessoas estão a seguir Simon Sinek, Stephen M. R. Covey ou Richard Branson?
O que se segue é apenas a tradução em português.
Ricardo Costa é só isso: um mau tradutor tantas vezes de mensagens alheias.
É apenas mensageiro.
E já sabemos dos filmes: “don’t shoot the messenger”.
Mas também já sabemos da vida: podemos rir, podemos sentir pena de alguém que precisa de roubar palavras para construir uma identidade.
Ética como fronteira intransponível
A linha que divide inspiração de plágio é a mesma que separa liderança de vaidade.
Um líder não teme citar fontes, não teme reconhecer quem lhe deu referências.
Um líder não confunde fama com autenticidade.
Ricardo, podes usar este texto se quiseres. Cedência completa de direitos.
Ver tudo aqui.
5 Agosto, 2025

