Anabela Moreira

A vulnerabilidade como elemento de boa gestão

Há cerca de três semanas, estive dois dias na NOVA-SBE a preparar-me, juntamente com outras pessoas, para poder ser mentora de líderes e empreendedores que impulsionam este país. Este programa único e incrível chama-se Voice Leadership.

Tive o enorme prazer de trabalhar no passado numa das equipas do Pedro Brito (a quem, aliás, dedico o meu livro Gestão de Recursos Humanos sem Humanos, pois marcou a transição do meu exercício de gestora de RH “suit & tie” para, igualmente profissional, ser uma gestora de RH humanizada e presente. Obrigada ao Marco e à Sónia. Aconteceram muitas coisas menos positivas para que hoje tudo corra muito melhor).

Já faço mentoria a líderes há cerca de cinco anos com regularidade, mas só “caiu a ficha”, como se costuma dizer, num exercício do Voice Leadership. Foi aí que entendi: A VULNERABILIDADE É TALVEZ O MAIOR E MELHOR ELEMENTO DE GESTÃO.

Vivemos numa sociedade que não aceita que digamos “não, não sei”.

Hoje, vejo na minha área de talento muitos perfis de “do it all, know it all”, e o mesmo se aplica às lideranças.

Todos dizemos: “somos humanos e erramos”, mas continuamos a procurar a perfeição e somos intolerantes ao erro. É a verdadeira roda do hamster.

Num exercício com a Luísa do Pranto, em que ela encarnava uma empresária que quer expandir o seu negócio com consciência e sustentabilidade, enquanto a escutava ativamente e fascinada pela sua capacidade de comunicação, dei por mim a analisar o seu discurso: “Sim, o nosso diretor de recursos humanos é muito experiente e sabe tudo sobre o setor; as nossas equipas são incríveis; já testámos a, b, c e d, já fizemos tudo o que havia para fazer.” Discurso equivalente a: somos perfeitos e não sei como poderás superar isso.

Partilhei, nas conclusões do exercício, que aquilo mexeu comigo. Porque vejo este padrão regularmente:

NÃO SER VULNERÁVEL PARA NÃO SER ATACADO.

DO IT ALL, KNOW IT ALL.

Pessoas com este perfil estão destinadas ao fracasso.

É na vulnerabilidade que crescemos:

• Quando sabemos tudo, não ouvimos.

• Quando a nossa empresa já tem tudo, não crescemos.

• Quando não permitimos algumas dúvidas na nossa mente sobre se poderão existir outras formas, talvez mais competentes e profissionais, de fazer o mesmo, não inovamos.

• Quando não ouvimos conscientemente outros ângulos e experiências, não evoluímos.

Podia continuar, mas penso que já todos chegaram lá.

Somos todos sofomaníacos em alguma medida, especialmente nas nossas áreas de trabalho. No entanto, hoje em dia, e desde a pandemia, noto que todos cedemos de alguma forma ao ego: sabemos tudo sobre vacinas, pandemia, história da Síria, da Rússia, da Ucrânia, etc. E NÃO SABEMOS A NOSSA HISTÓRIA. NÃO NOS CONHECEMOS POR DENTRO. NÃO SABEMOS QUE SOMOS OS NOSSOS PIORES INIMIGOS PORQUE NÃO SOMOS VULNERÁVEIS.

• Não sei.

• Faz-se assim? Conta-me melhor.

• O que é isso? Como é isso por dentro?

• Gostava de saber mais. Podes explicar-me?

Este é um post sobre empreendedorismo.

Este é um post sobre inovação.

Este é um post sobre vida.

Este é um post sobre trabalho.

Porque as quatro esferas estão ligadas; não existem umas sem as outras, e estamos sempre a tentar excluí-las e isolá-las.

SEJA VULNERÁVEL. APRENDA A DIZER NÃO:

• Não sei.

• Não conheço.

• Nunca fiz.

• Não estou a chegar lá.

É NA VULNERABILIDADE QUE ESTÁ O ABSOLUTO SUCESSO.

P.S: vêm a imagem do artigo? É incrível como na NOVA-SBE estamos no menos (-1) e estamos sempre no mais. Sempre.

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